Remédios para emagrecer
- 30 de jun. de 2017
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O QUE EU FAÇO DEPOIS QUE O REMÉDIO ACABAR? Essa é a pergunta que uma paciente, que apresenta sobrepeso e não obesidade, fez para mim após de ter recebido a sugestão da médica para usar um remédio que auxilia no processo de emagrecimento. Minha resposta? “Não sei”. Mas a minha vontade é de fazer essa pergunta aos profissionais que sugerem essa prática. Quem “está aí” com o depois? Quem “está aí” com o processo realizado? Quem “está aí” em como você está se sentindo usando essas medicações? Quem “está aí” em como você chegou aos menos X Kg? Parece-me que o que importa é o resultado final. Depois você “dá um jeito”. E, coincidentemente, recebemos há alguns dias a notícia de que o Congresso aprovou uma lei que permite a volta da comercialização de remédios para emagrecer, questão que já havia sido vetada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2011. Esses remédios são conhecidos como anorexígenos, ou seja, o que provoca / induz anorexia, aversão ao alimento, falta de apetite. E, além disso, podem produzir excitação e insônia. A Anvisa argumenta que existem vários efeitos colaterais e entre eles os transtornos alimentares psiquiátricos podem surgir como consequência do uso desses medicamentos. Por outro lado, os defensores alegam, custo baixo do remédio, eficácia, segurança e prescrição criteriosa. E fica, nessa última questão, a minha preocupação. Apesar de trabalhar na área há pouco tempo (6,5 anos) em relação ao surgimento dessas substâncias como alternativa para o emagrecimento (desde 1950), já ouvi incontáveis vezes e recebi outros incontáveis pacientes que relataram já terem feito uso desses medicamentos e que “depois engordei tudo de novo”. Não é nenhuma novidade. Afinal, a obesidade só cresce no mundo e, até onde eu saiba, nenhum medicamento ensina você sobre COMO comer. E não estou falando aqui de “dieta”. Estou falando de você entender a relação das suas emoções com a alimentação que você decide fazer, de identificar os sinais que seu corpo transmite de fome e saciedade. Faço questão de lembrar que a escolha alimentar é resultado de uma gama de fatores (sócio- econômicos, psicológicos, ambientais, culturais) e duvido algum medicamento tratar o paciente de forma tão global quanto a escuta que um profissional habilitado faz do seu paciente e que oferece ferramentas para trilhar caminhos saudáveis e duradouros. Aqui a questão é o processo. Não só o resultado final. É o antes, o durante e o depois.

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